Fuga
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
às
22:52
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Ramona Nascimento
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Desejos
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
às
19:01
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Ramona Nascimento
Não quero perder-te de vista, não abrirei mão de admirar teus olhos mais vezes. Tantas vezes até que o 'pra sempre' acabe, até que a morte me roube a alma e leve-a para lugar algum, para onde nem eu mesma sei. Não dá pra parar, não dá pra cansar de admirar os traços de teu rosto estranhamente familiar, não dá pra parar a vontade de fazer-te adormecer, acariciar teu rosto e teus cabelos numa noite de céu nublado e rua vazia. No silêncio das batidas de teu coração, no nosso silêncio, na nossa fantasia de noite qualquer.
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Coisas inadequadas
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
às
11:49
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Ramona Nascimento
Em seu peito trazia cicatrizes, dores, mágoas, e
angústias de um 'amor mal curado'. Trazia a amargura e a frieza que só ela
sabia. Era chata, irritante, inútil e tão poeta quanto uma pedra bêbada.
Gostava de ser sincera, vomitava seus sentimentos de forma horrível e
indelicada. Da forma que ninguém jamais achou adequada pra falar de amor. Ela
se fantasiava de gelo, mas em seu peito continha uma brasa viva. Só esperando
alguém pra aquecer. Gostava de parecer forte, fria, de parecer segura, coisa que nela nada
tinha. Sobrevivia. Passava dias matando, ou tentando matar o amor que tinha
dentro dela; ou até 'dar um jeito', organizar a bagunça que era seu coração.
Queria morrer por muitas vezes, mas o amor -amor esse que alimentava todas as
suas escritas de menina boba- não deixava. Por quê?! Ela sempre se perguntava.
Ela não sabia o que esse maldito amor queria fazer com ela, talvez matá-la aos
poucos, talvez não. Talvez deixa-la ser feliz, mas do jeito que esse tal de
amor é, eu duvido.
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Apenas palavras não poderiam descrever
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
às
18:14
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Ramona Nascimento
Conheceram-se de uma forma comum, da forma que todos se conhecem.
Mas foram surpreendidos, não sabiam que ia ser tão lindo.
Foi estranho tamanha perfeição, foi estranho o modo que tudo aconteceu.
Foi estranho tantos detalhes em comum, foi perfeito, foi lindo.
Manhã nublada, domingo, passeio pela rua deserta, coincidências, boa música, beijo.
E ele? Belo, inteligente, sedutor, mas via-se que era apenas um menino.
Um menino que precisava de proteção,
mas que me fazia sentir protegida e totalmente fora de órbita.
Um menino de olhar firme, sincero, acolhedor, aconchegante, protetor e belo.
Era incrível como aquele olhar era hipnotizador;
bastava olhar uma vez para não conseguir mais parar.
Ficamos minutos nos olhando, sem parar. Parecia que ele me lia, era estranho, não sei.
Mas posso afirmar, ele lia meu olhar. Sabia o que eu estava sentindo.
As músicas que tocavam ali, conspiravam para que aquele beijo acontecesse
-beijo incomum, diferente, perfeito, como tudo naquela manhã-
e os deixava cada vez mais 'grudados',
foi tudo estranhamente perfeito, estranhamente lindo
Ele cantou pra mim, aconchegou-me em seu peito -me protegendo de tudo- enquanto afagava meus cabelos e acariciava meu rosto. me fazia um bem danado.
Me deixava segura, era como se nada nem ninguém
pudesse me atingir quando eu estava abraçada com ele.
Era tudo estranhamente mágico, era tudo diferente.
Ele deixava tudo mais bonito, deixava tudo agradável, perfeito.
E aquele foi o único dia da vida dela, que nem a palavra perfeição conseguia definir.
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Estrelas perdidas
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
às
17:54
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Ramona Nascimento
Estrelas no chão, felicidade em lugar algum.
Noite silenciosa, coisas incomuns. Pessoas tristes, coisas tristes.
Chovia, as estrelas escorregavam pelas ruas numa dança difícil de identificar.
Palavras se perdiam entre a escuridão, pensamentos e goles de vodka.
Ela não sabia o que fazer, não sabia o que queria.
Queria morrer, mas também desejava viver e mudar tudo.
Desejava fugir, mas coisas prendiam-na lá.
Queria um remédio para simplesmente apagar pra sempre, queria beber, passar mal e morrer.
Mas não, ela não queria morrer, ela tinha muitos planos para o futuro.
Futuro que talvez não estivesse a espera dela, mas ela estava disposta a perseguir.
Ela não sabia o que queria, não sabia o que querer.
Certa noite, ao olhar pela janela de seu quarto, viu que as estrelas fugiam.
Era como se a chuva levasse elas para longe, para tão longe que ela as perdeu de vista.
E ela decidiu ver para onde elas iriam. Pulou a janela e correu atrás das estrelas que fugiam.
Não largou a garrafa de vodka que estava em sua mão e era sua companheira de sempre.
As estrelas sumiam, a chuva as levava, levava para tão longe que ela não podia mais ver,
então ela sentou no chão, apenas bebeu e chorou.
então ela sentou no chão, apenas bebeu e chorou.
Decidiu não voltar mais, decidiu abandonar o seu futuro incerto,
decidiu apenas perder-se na sua insegurança, no seu vazio.
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Sem título
terça-feira, 9 de agosto de 2011
às
16:56
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Ramona Nascimento
Ela construiu um muro ao seu redor.
Um muro que a protegia de tudo o que ela desejasse; aparentemente, é claro! Internamente os sentimentos, as lembranças e as dores atingiam-na de uma só vez. Deixando-a infinitamente machucada, de uma forma irrecuperável. E ela nunca soube arrancar aquelas dores de lá, e os efeitos eram os mesmos de sempre. Outrora desabava, outrora morria. Aquelas dores eram como ervas daninhas em solo fértil. E enquanto ela se controlava, enquanto ela estava 'bem', era como cair num buraco escuro e infinito, onde não se tem chão. Onde ela só desejava ser engolida pela escuridão, onde ela só desejava que houvesse algo para 'sugar' a sua vida.
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Coisas dela
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
às
22:01
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Ramona Nascimento
Necessitava explodir em palavras, necessitava fugir dos seus medos, necessitava de um novo refúgio. Por mais que ela tentasse, não conseguia saber o que queria. Ficava sempre na dúvida entre o que ela queria e o que ela deveria querer. E eram caminhos diferentes, o que ela queria parecia ser errado para o mundo, e o que ela deveria querer parecia errado para ela. Talvez deveria ela seguir o que o mundo achava que era certo? Talvez deveria ela seguir o que ela achava certo? Ela não sabia, ficava sempre na mesma dúvida. Até que um dia, desistiu. Desistiu de querer agradar, desistiu de ser o orgulho das pessoas e foi viver. Foi viver da forma que ela achava que deveria. Da forma que ela achava que era certa. Desde então, julgavam-na pensavam que ela queria mesmo chamar atenção, ou qualquer coisa do tipo. E todos estavam errados. Ela pouco se importava com a atenção que estavam dando para ela, pouco se importava com o lixo de opinião que as pessoas tinham a respeito dela. Ela só queria reencontrar a identidade que havia perdido, que não tinha coragem de usar. E agora, ela é simplesmente o que deseja ser, sem medo do que as pessoas vão pensar, sem medo das consequências.
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Pensamentos de uma manhã
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
às
19:35
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Ramona Nascimento
Acordou; deixou em sua cama todos os seus medos, sonhos e inseguranças. Deixou no seu lençol lágrimas e pensamentos que só ela sabia. Transformou-se numa criatura forte, colocou a velha máscara sorridente na cara e foi viver. Pelo menos tentar viver. E todos os dias para ela são iguais. Com exceção de certos momentos que modificam sua rotineira apresentação no palco da vida. Porque para ela, a vida não passa de uma grande peça teatral. Onde as pessoas vêm, atuam e vão embora. E ela, ela não é um personagem. Ela é aquele grande teatro que recebe diversas apresentações, mas onde ninguém permanece. E quando o grande público vai embora, ele fica sozinho e vazio, como sempre vai ser. Talvez ela não queira mais ser o teatro, o que ela deseja mesmo é ser um personagem. Mas não mais um daqueles personagens que atuam e se vão como os outros, mas aquele personagem que faz a diferença, que marca a vida do expectador. Talvez ela só queira ser real por ter cansado de viver mentiras, por ter cansado de ser transparente. E assim ela tentará conseguir o papel principal na vida de alguém.
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Ele
terça-feira, 2 de agosto de 2011
às
12:35
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Ramona Nascimento
Andava pelas ruas como quem necessitava encontrar alguém. Andava pelas ruas como se procurasse por ele em cada rosto que via. Andava pelas ruas sempre a noite, esperando que o ar daquela noite fresca trouxesse o perfume dele. Andava pelas ruas não por precisar chegar a algum lugar, mas por precisar encontrá-lo em cada canto da cidade. Por precisar sentir o seu cheiro em todos os lugares, por precisar olhar seus olhos cor de canela, por precisar beijá-lo só mais uma vez. E talvez assim ela cessasse sua procura. Talvez só assim pudesse sentir-se completa. Talvez só perto dele, ela conseguisse ser feliz. Ser feliz de verdade.
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Os olhos dele
sábado, 30 de julho de 2011
às
19:27
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Ramona Nascimento
E sempre que ela o encontrava, admirava os belos traços do rosto dele. Mesmo que muitos digam o contrário, ela ainda conseguia enxergar a beleza naqueles olhos. A beleza que ninguém conseguia ver. E ela gostava, gostava de ser a única capaz de encontrar a beleza daqueles olhos. Olhos comuns, cor de canela, que faziam-na sonhar. Olhos tão comuns e tão únicos para ela. Olhos que ela não cansava de admirar.
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